Matador de brasileiros

maio 25, 2008 por abaixodoequador

Esta semana o Fluminense inicia a semifinal da Libertadores e tenta manter o sonho do inédito título. O problema é o rival, o Club Atletico Boca Juniors, principal adversário do Brasil em competições sul-americanas nos últimos anos.
Mas, o que falar sobre uma das equipes mais lendárias da história do futebol. Fundado em 1905, no mítico bairro La Boca, na região sul de Buenos Aires, mesmo local onde surgiu o tango que embalaria o ritmo de seus principais craques como Maradona,Carlitos Tevez, Riquelme, Diego la Torre, Batistuta, Hugo Gatti e Martín Palermo.
Mas, a grande força dos Bosteros está na mítica Bombonera e na temida barra xeneize, La 12, considerada uma das mais fanáticas e participativas torcidas do mundo.
Porém, o que mais assusta aos brasileiros é o retrospecto negativo na Libertadores da América. Desde que o Santos, de Pelé, foi campeão vencendo em território inimigo no longínquo ano de 1963, nenhum time brasileiro conseguiu eliminar o Boca Juniors na fase de mata-mata. Nada menos que 45 anos de jejum. Esta semana a história ganha um novo capítulo.
Abaixo a relação dos confrontos entre Boca Juniors e Brasil na fase de mata-mata, desde o Santos dos anos 60:
1977 (Boca campeão)
Boca Juniors 1 x 0 Cruzeiro
Cruzeiro 1 x 0 Boca Juniors
Jogo desempate em Montevidéu:Boca Juniors 0 x 0 Cruzeiro (Boca 5×4 nos pênaltis)
1978 (Boca campeão)
Atlético Mineiro 1 x 2 Boca Juniors
Boca Juniors 3 x 1 Atlético Mineiro
1991
Boca Juniors 3 x 0 Flamengo
Flamengo 2 x 1 Boca Juniors
Boca Juniors 3 x 1 Corinthians
Corinthians 1 x 1 Boca Juniors
2000 (Boca campeão)
Boca Juniors 2 x 2 Palmeiras
Palmeiras 0 x 0 Boca Juniors (Boca 4 x 2 nos pênaltis)
2001 (Boca campeão)
Boca Juniors 2 x 2 Palmeiras
Palmeiras 2 x 2 Boca Juniors (Boca 3 x 2 nos pênaltis)

Vasco da Gama 0 x 1 Boca Juniors
Boca Juniors 3 x 0 Vasco da Gama
2003 (Boca campeão)
Boca Juniors 2 x 0 Santos
Santos 1 x 3 Boca Juniors
Boca Juniors 0 x 1 Paysandú
Paysandú 2 x 4 Boca Juniors
2004 (Boca vice-campeão)
São Caetano 0 x 0 Boca Juniors
Boca Juniors 1 x 1 São caetano (Boca 4 x 3 nos pênaltis)
2007 (Boca campeão)
Boca juniors 3 x 0 Grêmio
Grêmio 0 x 2 Boca Juniors
2008 (Boca campeão?)
Boca Juniors 2 x 1 Cruzeiro
Cruzeiro 1 x2 Boca Juniors

Que os deuses do futebol protejam o Fluminense…

Romário, 1994

maio 1, 2008 por abaixodoequador

Diz a lenda que apenas três jogadores ganharam uma Copa do Mundo sozinhos: Mané Garrincha em 1962, Maradona em 1986 e Romário em 1994. Além disso, o Baixinho no auge da carreira, seis meses após o tetracampeonato, voltou ao Brasil para desfilar seu talento em nossos campos. Como homenagem ao melhor jogador que este blogueiro viu nos campos de futebol, nunca é demais recordar:
Brasil x Uruguai, 1993
A estréia contra a Rússia.
Romário e os Camarões.
Brasil x Suécia- parte 1
O 4 de julho brasileiro.
Romário chupa a laranja.
Brasil x Suécia-parte 2
O tetracampeonato

Mil vezes obrigado Romário !

Globalização à mexicana 2

abril 20, 2008 por abaixodoequador

Globalização à mexicana

abril 20, 2008 por abaixodoequador

Vivemos tempos de globalização futebolística eurocêntrica e a função deste blog é apresentar um espaço que fuja deste cenário. Por isso o destaque deste post é o Chivas Guadalajara, equipe mais popular do México e um dos times mais globalizados da América Latina. Apesar da confusão ser normal, principalmente por se tratar de um clube-empresa, não há relação entre o clube e o famoso whisky homônimo. A equipe tem este nome por causa de uma espécie de cabrito montês típica da região mexicana. O presidente do clube é o magnata Jorge Vergara (também dono do Saprissa, da Costa Rica) proprietário da empresa de suplementos alimentares Omnilife, além de deter investimentos em outros setores como aviação civil, assessoria financeira e produção de filmes e discos.

O Chivas vem expandindo suas fronteiras regularmente. A equipe já possui uma filial no mercado norte-americano, o Chivas U.S.A., sucesso de público em Los Angeles. No entanto, os planos de expansão não param por aí, o próximo passo para o time mexicano é montar uma equipe em pleno mercado europeu. Especula-se que a Espanha pode receber o novo time, que em sua versão original só aceita jogadores nascidos no México. Pode ser apenas um pingo d´agua em um oceano, mas os mexicanos de Guadalajara provam que é possível globalizar o futebol de nosso continente.

A Libertadores no Brasil

abril 19, 2008 por abaixodoequador

Os clubes brasileiros realizaram 14 jogos em teritório nacional na edição deste ano da Libertadores. Até o momento com 100% de aproveitamento. Abaixo os resultados:

Cruzeiro 3 x 1 Cerro Porteño

Cruzeiro 3 x 0 Real Potosí

Cruzeiro 3 x 1 Caracas

Cruzeiro 3 x 1 San Lorenzo

Santos 1 x 0 Chivas Guadalajara

Santos 7 x 0 San Jose

Santos 1 x 0 Cúcuta

Fluminense 6 x 0 Arsenal de Sarandí

Fluminense 2 x 0 Libertad

Fluminense 1 x 0 LDU

Flamengo 2 x 1 Cienciano

Flamengo 2 x 0 Nacional (Montevidéu)

São Paulo 2 x 1 Audax Italiano

São Paulo 1 x 0 Sportivo Luqueño

Faltam apenas dois jogos pela fase de grupos da competição em solo nacional: Flamengo x Coronel Bolognesi e São Paulo x Atlético Nacional. O Cruzeiro realizou quatro jogos em casa pois disputou a Pré-Libertadores.

Melodía de Arrabal (5ª parte)

abril 5, 2008 por abaixodoequador

Melodía de Arrabal (3ª parte)

abril 5, 2008 por abaixodoequador

As rivalidades e inimizades proliferam nas torcidas argentinas. Mas, como o amor pelo bairro transformou-se em indústria da violência? Essa é a principal questão do futebol argentino nos dias de hoje. Quando se enfrentam arqui-rivais como Vélez Sarsfield e Argentinos Juniors ou Huracán e San Lorenzo, o que ocorre é mais que uma rivalidade futebolística. Os jogos são normalmente encarados como disputas entre as vizinhanças, Liniers x Paternal e Boedo x Parque Patricios respectivamente,  que se enfrentam nas arquibancadas.

As  barras tornaram-se negócios lucrativos para seus comandantes e para diversos dirigentes esportivos. Ao contrário do Brasil, onde as torcidas organizadas formaram-se nos estádios, na Argentina as hinchadas cresceram dentro dos muros dos clubes e são formadas, em sua maioria, por membros dos quadros associativos das agremiações. A lógica levou os interesses das instituições a coincidirem, tornando a solução do problema quase impossível. Experientes jornalistas esportivos, como Manolo Epelbaum comentarista do Sportv, acreditam que as barras bravas sejam hoje as organizações mais influentes dentro do futebol argentino.

La 12, Los Borrachos del Tablón, La Pandilla de Liniers são algumas das principais barras que contam com amplo apoio das direções dos clubes e até mesmo da imprensa em seus projetos. Ingressos e passagens para jogos fora de casa são distribuídos fartamente aos integrantes, até mesmo para jogos da seleção argentina (estaria a AFA envolvida?). Além disso, periódicos como Clarín e Ole realizam uma cobertura ampla sobre os casos de violência, chegando a publicar rankings das torcidas mais perigosas.

Em nenhum lugar a apologia à violência é tão explícita como no site www.barrabravas.com.ar. No endereço é possível encontrar listas de confrontos detalhados, separados por clube, de todas as divisões do futebol argentino. A lucratividade do negócio aumentou recentemente, quando os argentinos começaram a exportar o modus-operandi  para outros países latino-americanos como México e Colômbia.

No Brasil, as primeiras barras surgiram no Rio Grande do Sul com gremistas e colorados alguns anos atrás. Hoje a moda espalhou-se pelo país em agremiações como Atlético Mineiro, Santos e até mesmo o Juventus, da Móoca. O início pacifista destas torcidas, que incentivam seus times com cantos durante toda a partida, já foi ofuscado por grandes confusões ocorridas em clássicos entre Internacional e Grêmio, nos quais Geral do Grêmio e Guarda Popular Colorada tiveram participação ativa.

A tendência parece ser favorável à proliferação das barras e seu modo peculiar de torcer. No entanto, soluções começam a ser buscadas dentro do território argentino. O encarregado da segurança nos estádios porteños Javier Castrilli (ele mesmo), determinou recentemente algumas medidas para sanear o futebol argentino, entre elas a proibição do comparecimento de torcidas visitantes aos estádios nas divisões inferiores. Os problemas diminuíram, mas pouco. Alguns jogos da atual temporada não puderam ser concluídos por questões de segurança e no fim de semana de 16 de março, dois torcedores foram assassinados em diferentes partes do país. A situação ainda não voltou ao patamar do Torneo Apertura-2006, quando entre outras situações, a torcida do Gimnasia y Esgrima La Plata ameaçou de morte seus próprios jogadores caso não perdessem (é isso mesmo!) para o Boca Juniors, em tentativa inútil de impedir o título  dos inimigos do Estudiantes.

Espaço na mídia, influência nos clubes, conivência policial, apoio financeiro de celebridades e políticos formam o caldo de cultura em que a violência floresce. Aliado a isso, temos um país que enfrentou sérias convulsões econômicas nos últimos anos e uma sociedade profundamente dividida. As lutas políticas fratricidas, em um país que contou 30 mil mortos durante sua ditadura militar, aumentam o potencial de combustão em um país inflamável.

Melodía de Arrabal (2ª parte)

abril 3, 2008 por abaixodoequador

Para entender o que se passa na Argentina é preciso entender um pouco a cultura do país. Segundo o jornalista argentino Martin Sotto, em entrevista gravada para um documentário britânico:  “Aqui, na Argentina, você não tem nada para pertencer, só resta o clube. Por isso, pertencer a um time é tão importante.”

Para entender melhor a situação, adicione o bairro ao futebol. Vivemos em uma sociedade desgarrada de sua vizinhança e isso reflete-se no futebol, com exceção de uns poucos e pequenos clubes não existem mais torcidas de bairro no Brasil.

A situação é inversa à da sociedade argentina, onde a mentalidade bairrista é arraizada permanecendo forte nos dias de hoje. A história é antiga e as letras de tangos clássicos  fizeram del barrio  um de seus principais temas. Melodía de Arrabal, Barrio Viejo e Caminito são alguns dos exemplos.

No entanto, a imagem idílica pintada pelas canções populares não corresponde ao reflexo da situação dentro das canchas. Toda a paixão exarcebada que o bairrismo possibilita é refletida nas arquibancadas quando arqui-rivais, ou nem tanto, se encontram. A violência é ampla, geral e irrestrita.

Não são apenas os superclássicos como Boca x River e Racing x Independiente que tingem os gramados de sangue. A situação saiu de controle faz tempo, a cada semana nasce uma nova rivalidade causada por confusões entre hinchadas rivais e a espiral parece não ter volta. É aí que entram os bairros.

A Grande Buenos Aires tem dezenas de clubes, estádios e torcidas de futebol. Existem vários clássicos pouco conhecidos no Brasil, mas com feroz rivalidade como Banfield x Lanús e Nueva Chicago x Vélez Sarsfield. Adicione a isso, as rivalidades cruzadas por causa de alianças de torcidas, a proximidade das arenas e uma polícia acusada de conivência com a violência. O resultado é pior que cigarro aceso em posto de gasolina. Emerge a cultura barra brava

Melodía de Arrabal ( 1ª parte)

abril 3, 2008 por abaixodoequador

Vivemos em uma das sociedades  mais violentas do mundo. Em 2006, ocorreram no Brasil 46.660 homicídios e essa é apenas uma das faces da violência no país. O espectro de violações aos direitos básicos do ser humano é amplo, passando pela criminalidade, violência doméstica e precarização do mercado de trabalho. A situação parece, e é, caótica. Com isso o terreno torna-se propício para a importação de soluções como o  Tolerância Zero, sucesso em Nova York e fracasso no Brasil e no México.

O futebol como principal atração popular do Brasil não poderia passar incólume, sendo em vários aspectos um microcosmos da situação da sociedade brasileira. Com isso, buscam-se soluções estrangeiras para problemas brasileiros. Fala-se em copiar a Inglaterra, como se por aqui houvesse uma classe média numerosa e abastada  capaz de lotar estádios e acabar com as confusões entre torcidas como na Europa. Difícil acontecer.

Faz alguns anos começaram a surgir ao redor do Brasil as barras, agrupamentos de torcedores que comparecem aos estádios para cantar durante os 90 minutos em apoio ao clube. Inspiradas no modelo argentino de organização nas arquibancadas, a experiência surgiu, para parte da mídia, como  sopro de vida em um cenário de terra arrasada. No entanto, seria melhor observar o movimento com mais atenção.

O que é ruim, pode piorar. É so olharmos para o que acontece com nossos hermanos. Quando o escritor uruguaio Eduardo galeano escreveu seu clássico futebolístico Futebol ao sol e à sombra, em 1995, a situação já era ruim e ele pode estimar o número de mortes ocorridas durante brigas de torcida em mais de 150. O número impressiona e a situação piorou desde então. Não existem dados suficientemente confiáveis em uma situação como esta, mas as estimativas mais recentes são de um número superior a 250 fatalidades. Para efeito de comparação, no Brasil o número estimado são de mais de 70 ocorrências fatais. Compare os números absolutos com a população dos dois países e a conclusão é que, neste aspecto, não deveríamos importar soluções argentinas.

A hora da morte

abril 2, 2008 por abaixodoequador

Faltando apenas uma rodada para o fim do Paulistão, vários times ainda lutam por algo. Na parte de cima da tabela, quatro times (Barueri,Corinthians, Ponte Preta e São Paulo) brigam por duas vagas em jogos distintos. Final mesmo, com os dois times lutando pelo mesmo objetivo apenas uma: Guarani x Rio Preto. Juventus e Sertãozinho também lutam contra o descenso, porém a salvação deve ocorrer em Campinas. O Brinco de Ouro será o palco, daquele que deve ser o jogo mais emocionante da derradeira roddada do campeonato.

Além de matar  um dos clubes, o jogo do Bugre será um dos últimos a serem realizados no lendário Brinco de Ouro da Princesa. A venda do estádio foi aprovada pelos sócios bugrinos nesta semana. Será uma dupla morte para Campinas?